A pesca embarcada exercida no mar, quando se trata de pesca lúdica, tem um carisma próprio. São quatro os principais intérpretes: o mar, esse insondável, misterioso e perigoso meio; o barco, que arrosta uma imensa e salgada liquidez; os pescadores, cujo único objectivo é exercerem uma actividade agradável e descontraída, mas simultaneamente predadora; os peixes, esses seres matizados das profundezas. Há depois toda uma fabulosa envolvência - o suave silêncio do mar; os infinitos azuis; o confortável calor do sol; o voejar das aves; o afloramento dos golfinhos; a brisa aromática que se desprende da superfície; o prazer de capturar… Mas…existe também a grandeza violenta do mar, geradora de sustos, de temores, de desgraças sem fim. Que pode o simples ser humano perante a potência formidável de um mar revolto, contra vagas cavernosas e embrulhadas, ventos desmedidos, chuva intensa, trovoadas riscadas por relâmpagos? O mar dá-se ao respeito! Há que respeitá-lo. Contudo, a pesca embarcada prima por outro factor relevante: a possibilidade real de se praticar aquilo, que um célebre pensador contemporâneo apelidou de “convivialidade”. Um grupo de pescadores num pequeno espaço flutuante, passando horas a pescar, terá forçosamente de bem conviver. A prévia formação das equipas de pesca já pressupõe esse facto, o facto de existirem amizades sólidas. Nem poderá ser de outra maneira! Finalmente, a pesca embarcada exercida no mar, comporta uma enciclopédia de conhecimentos, atitudes e meios, que evolui com rapidez. O pescador moderno tem de se manter atento e sobretudo muito bem informado. Neste Portal renovado da EFSA Portugal, na área da pesca embarcada, iremos procurar ser úteis aos pescadores lúdico/desportivos e também queremos ouvi-los. Estaremos abertos às suas sugestões, aos seus relatos de pescarias, às suas opiniões…”meu Deus, há tanto para divulgar e aprender com humildade”.
Matosinhos, 26 de Dezembro de 2006 Luis M. Borges
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